Hoje fiquei triste. Ao fim da tarde soube que o Cine-Teatro Rosa Damasceno, de Santarém, ardeu esta noite.
Foi ali que fui ao cinema pela primeira vez na infância e durante os tempos de liceu.
Há muito que o querem demolir e construir habitação, comércio e uma discoteca, segundo consta. Espero que esta machadada no património cultural scalabitano redobre a vontade de revitalizá-lo como espaço cultural.
No Público.pt:
O cineteatro Rosa Damasceno, em Santarém, ardeu hoje de manhã, tendo desaparecido por completo a cobertura e a antiga sala de cinema, encerrada há vários anos, disseram fontes dos bombeiros e da autarquia. (...)
Martinho da Silva, presidente da assembleia-geral da Associação de Estudo e Defesa do Património Histórico-Cultural de Santarém, lamentou o estado de abandono em que se encontrava aquele espaço cultural da cidade e ficou consternado com a "notícia triste" recebida hoje.
Martinho da Silva referiu que o espaço havia sido completamente entaipado há dois anos, quando a associação chamou a atenção para o fácil acesso àquele local."
Até aqui vivíamos na esperança" de que aquele espaço cultural fosse devolvido à cidade, disse Martinho da Silva, acrescentando esperar que o que vier a suceder ao Rosa Damasceno mantenha um carácter público, de preferência de dinamização cultural, sobretudo quando se fala em tornar mais vivo o centro histórico de Santarém.
Emília Pacheco: Judiciária deve "ir até ao fim"
Maria Emília Pacheco, anterior presidente da direcção daquela associação e actual membro dos seus corpos sociais, sublinhou a importância do edifício, tanto para o país, como peça do modernismo português.
No seu entender, os responsáveis deviam ter "vergonha" do prolongado abandono a que o edifício foi votado, pelo que é sua obrigação fazê-lo "renascer das cinzas", salvaguardando o que restou e devolvendo-o como espaço público à população.
Para Emília Pacheco, a investigação hoje iniciada pela Polícia Judiciária deve "ir até ao fim, doa a quem doer", para apurar quem "foram os verdadeiros responsáveis" pelo incêndio.
Abjurar: do Lat. ab. + jurare, v. tr., renunciar formalmente a certos erros (crença religiosa ou política) em acto público; retratar-se, apostatar.
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domingo, março 11, 2007
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